Pecuarista acusado de desmatar 80 mil hectares do Pantanal é absolvido de crime ambiental

O pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, proprietário de fazendas em Mato Grosso, foi absolvido de um dos crimes ambientais dos quais era acusado após a Justiça do Mato Grosso reconhecer que o delito de “impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas” já prescreveu. Mas a ação penal sobre sua responsabilidade pelo desmatamento de mais de 3 mil hectares continua no tribunal, pois ele ainda responde por outros crimes.

Área de Pantanal desmatada — Foto: Reprodução / TV Globo

Lemes também é alvo de uma investigação — ainda em fase de inquérito policial — sobre o desmatamento de 80 mil hectares no Pantanal com uso de produtos químicos, em um caso que ficou famoso após reportagem do Fantástico, da TV Globo.

A absolvição parcial de Lemes se refere a um processo anterior, sobre o desmate de 3.847 hectares em algumas de suas fazendas do Mato Grosso, entre 2013 e 2018.

— Um dos tipos ambientais imputados na denúncia possui pena máxima de um ano, com o prazo prescricional de 4 anos. Ocorre que a denúncia só foi recebida bem depois desse prazo, ocorrendo assim a prescrição, que é causa de extinção da punibilidade — explicou Valber Melo, advogado de Lemes.

Procurado, o Ministério Público do Mato Grosso informou que vai recorrer da decisão: “No entendimento do MPMT, o juiz se equivocou em reconhecer a prescrição de um crime permanente (impedir a regeneração natural)”, informou, em nota.

Na mesma decisão da absolvição, o juiz Antonio Horácio da Silva Neto, da Vara Especializada do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, marcou a audiência de instrução para o julgamento da acusação pelo artigo 68 da Lei de Crimes Ambientais, que fala em “não cumprir uma obrigação de relevante interesse ambiental”.

Em abril, o Fantástico sobrevoou a área afetada pelo desmatamento nas fazendas de Lemes. Ele tem 11 propriedades em Barão de Melgaço, no Mato Grosso. A área desmatada somava 80 mil hectares, o tamanho da cidade de Campinas. Segundo os investigadores, sua intenção era cortar a vegetação mais alta, para assim plantar capim e fazer pasto para gado. Para isso, ele teria lançado mão de pulverização de agrotóxicos inclusive em área preservada.

Fonte: O GLOBO.

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