O estudo, intitulado “Produção Madeireira Sustentável no Estado de Mato Grosso: Realidade e Oportunidades”, traça um raio-x completo da cadeia produtiva, revelando uma resiliência industrial única, mas também gargalos críticos que precisam de atenção governamental e empresarial.
Verticalização Industrial: O Diferencial Mato-Grossense
Um dos dados mais robustos do relatório destaca a capacidade de beneficiamento local. Mato Grosso processa internamente 99,45% de todo o volume de madeira que produz. Diferente de outros estados amazônicos, que muitas vezes exportam toras para processamento em outras regiões, MT retém o valor agregado, os tributos e a geração de empregos dentro de suas fronteiras.
Geografia do Setor: O “Cinturão da Madeira”
- Aripuanã: Líder absoluto, com mais de 533 mil hectares destinados ao manejo sustentável.
- Colniza: Responsável por 13% do volume total transacionado (8,3 milhões de m³).
- Juara: Terceiro maior polo, com 9,6% da produção acumulada.

Dinâmica de Mercado: Exportações em Alta e Recuo no Sul/Sudeste
O cenário comercial de 2024 trouxe uma mudança de paradigma. O mercado interno, historicamente o maior comprador da madeira mato-grossense, registrou uma retração de 38%. Esse recuo foi puxado pela queda no consumo em estados como São Paulo, que reduziu suas compras em quase 47%.
Em contrapartida, as exportações registraram um crescimento vertiginoso de 81,3%. Os principais drivers desse aumento foram:
| País de Destino | Participação / Crescimento |
|---|---|
| Estados Unidos | 23,2% do total exportado. |
| China | 17,8% do total exportado. |
| França | Crescimento recorde de 96% na demanda. |
Alerta: Desafios de Governança e Rastreabilidade
O boletim também traz dados preocupantes sobre a legalidade. Entre 2010 e 2023, o monitoramento identificou que 1,15 milhão de hectares (quase 40% da área explorada) não possuíam autorização formal, evidenciando falhas persistentes na governança territorial.
Além disso, o setor ainda demonstra alta dependência de poucas espécies. Embora o estado transacione centenas de variedades, 50% do volume concentra-se em apenas 15 espécies. As líderes de mercado são:
- Cedrinho: 10% do volume total.
- Cupiúba: 7%.
- Mandioqueira: 6%.
Conclusão e Perspectivas
Para o futuro, o desafio de Mato Grosso será adaptar-se às novas exigências globais de rastreabilidade, como o regulamento europeu EUDR e as novas listagens da CITES para espécies valiosas como Ipê e Cumaru. O relatório enfatiza que o investimento em tecnologia e na diversificação de espécies menos conhecidas será vital para manter a competitividade internacional do estado.
Descubra mais sobre Florestal Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
