O que deveria ser um legado verde para o futuro de Curitiba transformou-se em cenário de crime ambiental na última segunda-feira (29/12). Cerca de 80 mudas de árvores nativas, plantadas com esforço voluntário ao longo da Avenida Nossa Senhora da Luz, foram brutalmente arrancadas e cortadas.

O plantio havia sido realizado recentemente, no dia 7 de dezembro de 2025, em uma ação conjunta entre o coletivo “1 Milhão de Árvores” e o grupo “Tempo de Plantar”. Menos de um mês depois, o trabalho de recuperação ambiental foi alvo de destruição.
Segundo Andréia Kogus, integrante do coletivo, foram perdidas espécies vitais para a biodiversidade local, incluindo pitangas, uvaias, butiás, grumixamas e, principalmente, a árvore símbolo do estado: a Araucária.
Vale ressaltar que a Araucaria angustifolia (Pinheiro-do-Paraná) é classificada como uma espécie em perigo de extinção e é protegida por legislação federal rigorosa. Qualquer dano, corte ou poda não autorizada a essas árvores configura crime ambiental grave, passível de multas pesadas e responsabilização penal. A proteção legal visa garantir a sobrevivência desse símbolo da Mata Atlântica, cuja população natural foi drasticamente reduzida nas últimas décadas.
Câmeras flagram a ação
Luciano Padilha, um dos organizadores e porta-voz do coletivo, revelou detalhes sobre a autoria do crime. O grupo obteve acesso a imagens de câmeras de segurança das redondezas que registraram o momento do vandalismo.
“Sabemos que foi uma senhora, que apareceu com um carro na madrugada, por volta das 4h da manhã, e o seu alvo principal foram as araucárias”, relata Padilha.
O ativista explica que a descoberta ocorreu na segunda-feira, quando uma colega do coletivo passou pela avenida e notou o cenário de devastação. Imediatamente, o grupo registrou um Boletim de Ocorrência (BO) e entregou as filmagens às autoridades para pedir uma investigação rigorosa.
Choque e Resiliência
O sentimento inicial foi de incredulidade. O projeto realiza plantios mensais de forma voluntária, sempre focados na educação ambiental e com forte apoio da população local.
“Ficamos chocados, pois é um esforço que fazemos todos os meses para fazer nossa parte pelo meio ambiente […]. Mas agora pretendemos fazer um replantio no espaço e não parar. Isso só nos dá mais incentivo a continuar o nosso trabalho. Não vamos desistir tão facilmente”, afirma Luciano.

O Florestal Brasil já fez a cobertura de duas ações de plantios de árvores do coletivo. Na ocasião, Lucas Monteiro acompanhou e fez o plantio de mudas em áreas urbanas em Curitiba.

O combate às mudanças climáticas não para
Mais do que a perda material das mudas, o ato levanta um debate urgente sobre a consciência climática. Para o coletivo, o vandalismo é um ataque direto à infraestrutura verde necessária para a sobrevivência nas cidades.
Luciano Padilha enfatiza que o incidente teve o efeito reverso do esperado pelo vândalo: fortaleceu a missão do grupo.
“Se a pessoa que fez isso queria parar o nosso trabalho, pelo contrário, vamos continuar cada vez mais. Com todas as evidências das mudanças climáticas, o que mais precisamos agora é de pessoas engajadas e dispostas a trabalhar pelo clima”, declara.
O ativista conclui com um alerta para o poder público e a sociedade sobre a urgência da pauta ambiental em 2026:
“Que cada vez mais os governos possam olhar com mais atenção para as mudanças climáticas e tratar de forma mais séria essa infraestrutura verde para combater calor, enchentes, vendavais e secas. Se a gente não olhar pra essa questão da mitigação e transição climática, a gente vai sofrer cada vez mais. E é por isso que a gente faz esse trabalho.”
Próximos Passos
O coletivo “1 Milhão de Árvores”, que reúne frentes como Bela Hortinha, Coletivo Ekoa e Mão na Terra, já possui diversas propostas de parcerias e locais definidos para o calendário do próximo ano. A meta de transformar a paisagem de Curitiba e Região Metropolitana segue inabalável.
Descubra mais sobre Florestal Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
