O avanço da Ailanthus altissima, popularmente conhecida como “árvore-do-céu”, deixou de ser um problema meramente botânico para se tornar um desafio de ordem econômica e de segurança ambiental em escala continental. Originária da China e introduzida na Europa no século XVIII como planta ornamental, a espécie hoje figura na lista de espécies exóticas invasoras de preocupação da União Europeia (Regulamento UE 1143/2014), mobilizando orçamentos públicos e especialistas em agronegócio para conter sua disseminação agressiva.
Especialistas do setor alertam que a árvore-do-céu possui uma tríade de características que a torna quase imbatível em habitats perturbados: crescimento vertical de até dois metros por ano, produção massiva de sementes aladas e uma capacidade de regeneração radicular que desafia métodos tradicionais de corte. No entanto, o fator mais alarmante para a economia agrícola e ambiental é a alelopatia. A planta libera ailantona, uma substância química que intoxica o solo, impedindo o desenvolvimento de espécies nativas e desequilibrando cadeias produtivas locais.
De acordo com dados da Comissão Europeia, as espécies invasoras custam à economia do bloco pelo menos 12 bilhões de euros anualmente em danos à infraestrutura, perda de produtividade agrícola e custos de controle. A Ailanthus altissima é particularmente destrutiva em áreas de transporte, colonizando ferrovias e rodovias na Alemanha, Itália e Espanha, onde suas raízes vigorosas comprometem a integridade de estruturas de concreto e asfalto.
O controle da espécie é complexo e oneroso. Tentativas de erradicação mecânica sem tratamento químico costumam retroalimentar o problema, estimulando o surgimento de dezenas de novos brotos a partir de um único sistema radicular. Atualmente, países como Suíça e Áustria adotam protocolos rigorosos que combinam o anelamento do tronco com a aplicação controlada de herbicidas sistêmicos, uma operação que eleva significativamente os custos de manutenção de parques e reservas florestais.
Para o setor de agronegócio e gestão ambiental, o caso da ‘árvore-do-céu’ serve como um alerta sobre a vulnerabilidade dos ecossistemas modernos. Enquanto a espécie é valorizada em seu habitat original na Ásia para fins medicinais e apícolas, na Europa ela representa um risco sistêmico que exige uma resposta coordenada entre governos e a iniciativa privada para proteger a biodiversidade nativa e a estabilidade da infraestrutura urbana.
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