Tempestade Kristin deixa mais de 800 mil sem energia em Portugal e avança sobre a Espanha

Sistema extremo com ventos de até 150 km/h provoca mortes, derruba infraestrutura e reacende debate sobre adaptação climática na Europa

LISBOA – A passagem da depressão Kristin pela Península Ibérica nesta quarta-feira (28) e quinta-feira (29) consolidou-se como um dos eventos climáticos mais severos da década para a infraestrutura de Portugal. O balanço atualizado pelas autoridades de Proteção Civil aponta para cinco vítimas fatais e um rastro de destruição que atingiu o pico de 1 milhão de clientes sem energia elétrica. O distrito de Leiria foi o epicentro do impacto, onde a força dos ventos de até 150 km/h derrubou 61 postes de alta tensão, exigindo uma operação de guerra da E-Redes (grupo EDP), que mobilizou 1.200 operacionais para tentar restabelecer o serviço.

Camara Municial de Leiria

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, que visitou as áreas afetadas, classificou o esforço de reconstrução como ‘gigantesco’ e sinalizou a decretação de Estado de Calamidade para acelerar o apoio financeiro às regiões atingidas. No setor logístico, o prejuízo é acentuado pela suspensão total das Linhas Ferroviárias do Norte, Beira Baixa e Oeste, artérias vitais para o escoamento de mercadorias e transporte de passageiros.

 

Bombeiros trabalham num cenário de destruição, devido aos ventos fortes da tempestade Kristin, em Lisboa, Portugal — Foto: Horacio Villalobos Corbis/Getty Images

O setor de agronegócio no centro do país também reporta danos estruturais severos em estufas e sistemas de rega, enquanto centros de saúde e escolas permanecem fechados em diversas autarquias por falta de eletricidade e comunicações. Este cenário reacende o debate econômico sobre o custo da adaptação climática na Europa; estudos recentes do Banco Central Europeu e da Universidade de Mannheim estimam que eventos extremos podem custar à União Europeia até 126 bilhões de euros até 2029. Para Portugal, a Kristin evidencia a urgência de investimentos em redes inteligentes e no soterramento de linhas de distribuição para garantir a continuidade dos negócios diante da nova realidade climática.

Fonte: O Globo / Metsul


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