Guerra comercial no exterior ameaça mercado da madeira no Brasil

A iminência de uma taxação de 25% sobre a importação de madeira nos Estados Unidos, anunciada há cerca de um mês, acendeu o sinal de alerta para exportadores brasileiros. A medida, impulsionada pela gestão do presidente Donald Trump, visa proteger produtores americanos, mas pode intensificar a concorrência internacional e afetar diretamente as vendas do Brasil.

Entenda o cenário

  • Investigações contra o Brasil
    O governo americano incluiu o Brasil em uma investigação sobre a importação de madeira. É possível que os produtos brasileiros enfrentem a mesma tarifa que deverá ser aplicada ao Canadá, México e China.

  • Impacto no setor madeireiro
    Se por um lado, sem a sobretaxa, o Brasil poderia se beneficiar e aumentar suas exportações para os EUA, por outro, a disputa internacional ficaria mais acirrada. O Canadá, maior fornecedor norte-americano, poderia buscar outros mercados, incluindo alguns dominados pelo Brasil.

  • Produtos mais afetados
    De acordo com especialistas do setor, os Estados Unidos são o principal destino brasileiro de:

    • Compensado de pinus
    • Madeira serrada de pinus
    • Molduras de pinus

No ano passado, os EUA importaram US$ 49,3 bilhões em madeira no total. Desse montante, o Brasil forneceu US$ 1,7 bilhão, sendo superado apenas por China e Canadá.

Consequências e projeções

  1. Elevação de custos para o consumidor americano
    O aumento de tarifas, segundo economistas, pode encarecer os produtos no mercado interno dos Estados Unidos, sobretudo em setores que usam madeira na construção civil, como no caso de casas estruturadas com compensado de pinus.

  2. Possível diversificação de mercados
    Como forma de reduzir riscos, empresas brasileiras buscam novos destinos de exportação. A alta do dólar tem sido aliada à competitividade do produto nacional, mas a “inundação” de oferta de madeira mais barata, especialmente de origem chinesa, pode trazer desafios.

  3. Região Sul em alerta
    Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem por 86,5% de toda a madeira exportada pelo Brasil para os EUA. Santa Catarina se destaca com 41% das exportações de madeira e 50% das exportações de móveis.

  4. Produção sustentável
    No Sul, praticamente toda a madeira explorada é plantada especificamente para uso industrial, reduzindo a pressão sobre florestas nativas. O setor planta 1,8 milhão de árvores por dia, contribuindo para a absorção de CO² e geração de empregos.

União Europeia e novas barreiras

Além dos problemas com os EUA, a União Europeia notificou o governo brasileiro sobre uma investigação de dumping no setor de compensados. A suspeita é que produtos sejam vendidos a preços abaixo do mercado. Caso seja comprovado, a Europa pode impor suas próprias sobretaxas.

O que esperar do futuro?

Especialistas do setor acreditam que a sobretaxa americana pode ter efeito limitado, pois encarecerá a construção civil e outros produtos derivados de madeira para o mercado consumidor dos Estados Unidos. Também há dúvidas sobre a capacidade das indústrias americanas de se tornarem autossuficientes a curto prazo, devido ao alto investimento necessário e eventuais mudanças de governo.

Diante deste cenário, a palavra de ordem para o madeireiro brasileiro é diversificação. Explorar novos mercados, fortalecer a presença interna (principalmente na construção civil em madeira) e acompanhar de perto as negociações comerciais globais são estratégias fundamentais.

“A globalização parece ceder espaço para um novo pensamento – cada um defendendo seu mercado de forma mais intensa. Porém, não acreditamos em autossuficiência plena dos EUA no setor madeireiro e continuaremos a exportar para eles”, afirma Roni Marini, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).


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O mercado global de madeira atravessa um momento de incertezas e competitividade acentuada. A decisão americana de impor tarifas de até 25% pode reconfigurar fluxos de comércio, exigindo preparação e planejamento do setor madeireiro brasileiro. Investir em parcerias estratégicas, ampliar a cartela de clientes e promover a sustentabilidade da cadeia produtiva podem ser diferenciais competitivos para superar eventuais barreiras e manter o crescimento das exportações.


Fonte: Gazeta do Povo


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