Se tivéssemos que resumir 2025 em uma única palavra, ela seria contradição.
Para quem vive o dia a dia do setor ambiental e florestal, este foi um ano vertiginoso. Vimos o Brasil assumir o palco global com a COP30 em Belém, projetando uma imagem de liderança verde, ao mesmo tempo em que nossos biomas enfrentavam o teste mais severo de suas histórias, com secas recordes e incêndios devastadores de Roraima ao Pantanal.
Como processar tanta informação e separar o ruído político da realidade no campo?
É para responder a essa pergunta que apresentamos a Retrospectiva Ambiental 2025 do FloresCast. Mais do que um simples resumo de notícias, este episódio é uma análise crítica e aprofundada feita por quem respira o setor. O podcast oficial do Florestal Brasil reúne nossos especialistas — Lucas Monteiro, Arthur Brasil e Reure Macena — para conectar os pontos entre a economia, a política e o clima.
Se você quer entender o que realmente mudou no licenciamento, no mercado de carbono e na indústria florestal, este episódio é obrigatório.
A Linha do Tempo de 2025
Janeiro: O Norte em Chamas
O ano começou ignorando o calendário climático tradicional. Enquanto o país esperava chuvas de verão, Roraima e a Terra Indígena Yanomami enfrentaram uma seca severa e incêndios florestais fora de época.

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O Impacto: Boa Vista foi coberta por fumaça tóxica, paralisando a cidade e exigindo uma força-tarefa federal de guerra com IBAMA, ICMBio e Forças Armadas.
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O Aviso: Foi o primeiro sinal de que 2025 não seguiria padrões históricos.
Fevereiro: Bioeconomia e Calor Recorde
Enquanto o planeta registrava o terceiro fevereiro mais quente da história, o Brasil tentava organizar a casa.
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Estratégia: O Governo lançou a Estratégia Nacional de Bioeconomia, visando atrair investimentos para a “floresta em pé” de olho na COP30.
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Alívio Momentâneo: A Amazônia Legal registrou uma queda de 64% nos alertas de desmatamento em comparação ao ano anterior.
Março: Geleiras e Normas Globais
No “Ano Internacional da Preservação das Geleiras” , os relatórios climáticos trouxeram dados alarmantes sobre o derretimento global e o nível do mar.
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Setor Privado: O ISSB (Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade) lançou novas ferramentas para padronizar a divulgação de riscos climáticos pelas empresas.
Abril: O Gigante da Celulose Acorda
Abril foi um mês histórico para a indústria de base florestal brasileira.
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Projeto Sucuriú: Foi lançada a pedra fundamental da fábrica da Arauco em Inocência (MS). Com investimento de US$ 4,6 bilhões, será a maior fábrica de celulose do mundo, dobrando a população da cidade com a geração de empregos.

Construção da nova Fábrica da Arauco em Inocência-MS. Imagem: reprodução -
Vitória na IMO: A Organização Marítima Internacional aprovou um imposto global sobre carbono para navios, uma vitória da diplomacia brasileira.
Maio: Diplomacia vs. Realidade
O mês das maiores contradições. Na Alemanha, o Brasil lançou o roteiro “Baku a Belém” e prometeu reduzir emissões em 70%.
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O Susto: Internamente, o sistema DETER mostrou um pico de 91% no aumento de alertas de desmatamento na Amazônia, indicando o avanço da grilagem e uso do fogo.
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Aniversário: Foi o mês em que celebramos os 11 anos do portal Florestal Brasil.
Junho: Recorde no Fundo Amazônia
Fechamos o semestre com boas notícias financeiras. O Fundo Amazônia teve seu melhor desempenho histórico, aprovando R$ 1,2 bilhão em projetos apenas no primeiro semestre e expandindo para nove países doadores.
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Fogo Controlado: No balanço semestral, houve uma queda de 66% nas áreas queimadas em comparação a 2024.
Julho: O Cheque Especial do Planeta
No dia 24 de julho, a humanidade atingiu o Dia da Sobrecarga da Terra, esgotando os recursos renováveis do ano.
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Emergência no Pantanal: A temporada de fogo começou mais cedo e mais intensa, com rios em níveis historicamente baixos.
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Cultura: Lançamento da música original do FloresCast em homenagem ao Dia do Engenheiro Florestal.
Agosto: A Batalha do Licenciamento
Brasília ferveu com a sanção da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190).
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Vetos: O Presidente vetou trechos polêmicos (como o autolicenciamento) para manter o rigor técnico do IBAMA, iniciando uma guerra fria com o Congresso que duraria até novembro.
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Prejuízo: Dados revelaram que desastres naturais já custavam mais de R$ 730 bilhões à economia global no ano.
Setembro: O Recuo da Europa (EUDR)
Um dos momentos mais decisivos para o agronegócio exportador.
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Adiamento da EUDR: A União Europeia reconheceu falhas no sistema e adiou a implementação da Lei Antidesmatamento para o final de 2026.
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Fumaça em SP: O estado de São Paulo e o Centro-Sul sofreram com queimadas concentradas e fumaça intensa.
Outubro: Petróleo e Seca
Às vésperas da COP30, o Brasil enviou sinais mistos ao mundo.
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A Contradição: O órgão ambiental concedeu a polêmica licença para a Petrobras perfurar na Margem Equatorial (Foz do Amazonas), gerando críticas internacionais.
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Seca Histórica: A Bacia Amazônica, especialmente os rios Negro e Solimões, atingiu níveis críticos de seca, isolando o Norte do país.
Novembro: O Mundo em Belém (COP30)
O mês mais aguardado. A COP30 colocou a Amazônia no centro das decisões globais.
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Conquistas: Lançamento do fundo “Florestas Tropicais para Sempre”.
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Frustrações: Falta de acordo global para a eliminação dos combustíveis fósseis.
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Reviravolta Legislativa: Enquanto o mundo olhava para Belém, o Congresso derrubou os vetos presidenciais na Lei do Licenciamento, flexibilizando as regras ambientais.
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Prêmio: O FloresCast conquistou o 3º Lugar no Prêmio MPB como Melhor Podcast de Meio Ambiente.
Dezembro: Mercado de Carbono e Marco Temporal
O ano encerrou com definições cruciais para o futuro.
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Economia Verde: Publicação do Decreto nº 12.768, regulamentando finalmente o Mercado de Carbono (SBCE) e trazendo segurança jurídica.
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Crise Institucional: O STF declarou novamente a inconstitucionalidade do Marco Temporal, mas o Congresso reagiu aprovando uma PEC com o mesmo teor, mantendo o impasse jurídico
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