Mesmo fora da decisão final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), os mapas do caminho para o fim do desmatamento e da dependência dos combustíveis fósseis ainda serão construídos. Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, esses planos serão desenvolvidos ao longo dos próximos dois anos, período em que o Brasil permanece na presidência do processo multilateral sobre mudança do clima.

Em entrevista ao Bom Dia Ministra, do CanalGov, ela ressaltou que o país recebeu apoio de 82 nações, da sociedade civil e da comunidade científica para dar continuidade às iniciativas iniciadas em Belém. Segundo Marina, mesmo que a formulação desses mapas não tenha sido incorporada ao texto final das negociações, a presidência brasileira está comprometida em criar condições para que cada país defina, de forma autodeterminada, sua rota para abandonar os fósseis e frear o desmatamento.
“A presidência brasileira vai viabilizar os esforços e criar as bases para que cada país possa, de forma autodeterminada, fazer o seu próprio mapa do caminho, tanto para sair da dependência de combustível fóssil, quanto para frear o desmatamento”, afirmou.
Rota interna: clima, florestas e energia limpa
A ministra destacou que o Brasil já trabalha, no plano doméstico, para eliminar o desmatamento — objetivo presente nas políticas públicas desde 2003 — e que a transição para longe dos combustíveis fósseis deve ocorrer de forma “justa, planejada e gradativa”. Hoje, a matriz energética brasileira tem cerca de 45% de fontes limpas, percentual muito superior à média global.
Marina também avaliou que, apesar das dificuldades impostas pelo atual cenário geopolítico e pelo enfraquecimento do multilateralismo, a COP30 entregou avanços importantes. Entre eles, a definição de indicadores de adaptação, o pedido de triplicação dos recursos para países em desenvolvimento e a inclusão de povos tradicionais, mulheres e crianças como agentes centrais das ações climáticas.
“Sabemos da dificuldade no processo decisório em um contexto geopolítico tão difícil como este que estamos vivendo, em que os Estados Unidos saíram do Acordo de Paris e têm força gravitacional no sentido de tentar barrar os avanços”, afirmou.
Participação social marca COP30
A ministra também celebrou o que descreveu como uma das COPs mais participativas da história recente. Após quatro conferências sediadas em países com baixa abertura à sociedade civil, a reunião de Belém registrou intensa mobilização social: mais de 300 mil pessoas passaram pela Zona Verde, área destinada a debates, exposições e eventos paralelos.
Na Zona Azul — tradicionalmente restrita a negociadores e delegações oficiais — a presença social também se ampliou. Segundo Marina, mecanismos como os Círculos dos Povos, o Balanço Ético Global, reuniões com ministros de Finanças e encontros entre ex-presidentes de COP ajudaram a dar protagonismo às comunidades e organizações.
Brasil como destino dos investimentos verdes
Marina defendeu ainda que o país precisa se preparar para assumir um papel central no fluxo global de investimentos verdes — em um cenário que não tolerará modelos econômicos baseados na exploração ilimitada de florestas, água e biodiversidade. Para ela, o desafio agora é reorganizar o desenvolvimento para que a urgência climática seja tratada como oportunidade.
“Não é mais a lógica de transformar natureza em dinheiro. É usar o dinheiro que foi ganho em prejuízo da natureza e investir em energia limpa, do sol, do vento, da biomassa”, disse.
A ministra afirmou que o objetivo é impulsionar produtividade agrícola por tecnologia, distribuir melhor os ganhos econômicos e estabelecer novos padrões para o “novo normal” climático. “Esse é o desafio que está posto para a humanidade”, concluiu.
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