Estudo inédito revela déficit de 1,4 bilhão de toneladas de carbono causado pela agropecuária no Brasil

A pesquisa, baseada em mais de 4.200 amostras de solo, foi publicada na revista Nature Communications.

A conversão de vegetação nativa em áreas agropecuárias custou ao Brasil 1,4 bilhão de toneladas de carbono no solo — o equivalente a 5,2 bilhões de toneladas de CO₂. Os números são de um estudo inédito publicado na revista Nature Communications, desenvolvido por pesquisadores da Esalq/USP, da Embrapa e da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

A pesquisa analisou mais de 4.200 amostras de solo e sistematizou dados de mais de 370 estudos científicos, avaliando os seis biomas brasileiros, diferentes tipos de solo e variados níveis de manejo agropecuário. É a primeira vez que se calcula o estoque original de carbono no País antes das intervenções humanas e se mensura o que foi perdido desde então.

Pesquisa avaliou mais de 370 estudos, indica áreas com potencial de recarbonização do solo e subsidia políticas e ações voltadas à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, a exemplo da integração lavoura-pecuária-floresta (foto acima)

 

O dado mais preocupante revela que quanto maior o estoque inicial de carbono — como nos biomas com clima frio e úmido —, maior a perda causada pela agropecuária. Mas o estudo não traz só um diagnóstico sombrio: ele aponta onde é possível recuperar. Cerca de 72% do potencial de recarbonização do solo está concentrado no Cerrado e na Mata Atlântica, dois biomas já severamente degradados.

O tipo de manejo faz diferença expressiva. Enquanto a monocultura convencional provocou perda média de 22% na matéria orgânica do solo, sistemas de integração lavoura-pecuária reduziram essa cifra para 8,6%. O plantio direto também se mostrou significativamente mais eficiente do que o cultivo convencional — 11,4% contra 21,4% de perda.

Os pesquisadores estimam que, ao recarbonizar apenas um terço do potencial identificado, o Brasil consegue cumprir a meta de redução de emissões entre 59% e 67% estabelecida no Acordo de Paris até 2035. Além do impacto climático, o estudo abre uma janela para o mercado de carbono: conhecendo o tamanho do déficit, é possível dimensionar o volume de créditos que o país pode gerar — e atrair investimentos para a economia da descarbonização.

A publicação reforça a ciência brasileira nos fóruns internacionais de clima e subsidia tanto políticas públicas quanto iniciativas privadas voltadas à agricultura de baixo carbono.

Fonte: Embrapa


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