Quatorze filhotes de periquito cara-suja, espécie considerada ameaçada de extinção, nasceram nas últimas semanas no Parque das Aves. Os nascimentos são resultado de um programa de manejo reprodutivo planejado sob cuidados humanos, desenvolvido pela instituição como parte de estratégias voltadas à conservação da espécie.

Endêmica da Mata Atlântica do Nordeste brasileiro, a ave enfrenta há décadas a redução de suas populações na natureza, principalmente no estado do Ceará, em razão da perda de habitat e da captura ilegal. Nesse contexto, cada novo indivíduo nascido em programas de conservação contribui para fortalecer a população manejada e ampliar as possibilidades de recuperação da espécie.
Segundo a diretora técnica do Parque das Aves, Roberta Manacero, os nascimentos refletem um processo técnico de longo prazo.
“Cada nascimento de uma espécie ameaçada é resultado de um trabalho rigoroso, que envolve planejamento genético, acompanhamento sanitário e decisões estratégicas construídas ao longo do tempo”, afirma.
Manacero também atua como responsável pelo registro genealógico da população sob cuidados humanos da espécie no país, função que permite planejar os cruzamentos para manter a diversidade genética.
Incubação e primeiros cuidados
Os 14 filhotes tiveram os ovos incubados artificialmente, procedimento utilizado como parte da estratégia de manejo da espécie. O período de incubação dura, em média, entre 22 e 24 dias. Durante esse processo, a equipe acompanha fatores como temperatura, umidade, desenvolvimento embrionário e batimentos cardíacos.
De acordo com o gerente de manejo do parque, Richarlyston Brandt, cada etapa do processo exige monitoramento constante.
“Desde a definição dos casais até o acompanhamento diário dos ovos e dos filhotes, todo o trabalho é planejado para garantir viabilidade genética e segurança no desenvolvimento dos indivíduos”, explica.
Após as primeiras semanas de vida, os filhotes são transferidos para um recinto interno, onde seguem em desenvolvimento sob acompanhamento especializado. Atualmente, o parque mantém 15 indivíduos adultos da espécie sob cuidados humanos.

Conservação e reintrodução
O trabalho realizado pela instituição integra o chamado Projeto Cara-suja, liderado pela organização ambiental Aquasis. A iniciativa busca recuperar a população da espécie na natureza e manter uma população de segurança sob cuidados humanos.
Segundo a supervisora de manejo do parque, Analy Terme, esse tipo de estratégia é fundamental para espécies ameaçadas. “A formação de uma população de segurança garante uma base genética e demográfica estável caso ocorram perdas significativas na população em ambiente natural”, afirma.
Como parte desse esforço, dois indivíduos nascidos no Parque das Aves foram reintroduzidos na natureza em outubro de 2024, na Serra da Aratanha, região onde a espécie ocorre naturalmente. Após um período de adaptação supervisionado pela Aquasis, as aves foram liberadas diretamente no ambiente natural.
De acordo com o parque, novos indivíduos poderão futuramente ser destinados ao projeto de conservação ou a outras instituições no Brasil, conforme planejamento técnico e critérios genéticos. Cada ciclo reprodutivo concluído com sucesso, afirmam os responsáveis pelo programa, representa um passo adicional para ampliar as chances de sobrevivência do periquito cara-suja.
Fonte: Parque das Aves
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