Cúpula do Clima em Belém — Às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), Belém do Pará se torna o epicentro das discussões globais sobre o futuro do planeta. A Cúpula do Clima, realizada nos dias 6 e 7 de novembro de 2025, reúne 57 chefes de Estado e de governo, além de ministros e representantes internacionais, para debater soluções conjuntas sobre florestas, oceanos, transição energética, NDCs e financiamento climático.
Um marco político e diplomático histórico para o Brasil e a Amazônia
Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Cúpula simboliza um dos momentos mais importantes da diplomacia ambiental brasileira. A realização do evento em Belém demonstra o protagonismo do país na agenda climática internacional e reforça o compromisso com o desmatamento zero até 2030.
Durante a abertura, o governo brasileiro destacou o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), iniciativa que busca remunerar países e comunidades que preservam as florestas tropicais — uma proposta defendida pela ministra Marina Silva como um novo modelo de incentivo positivo à conservação.
“Toda a lógica até agora foi: recursos para os desmatadores pararem de desmatar. E os que não desmatam? O TFFF é exatamente para remunerar aqueles que protegem e prestam serviços ecossistêmicos para o equilíbrio do planeta”, declarou a ministra.
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Avanços técnicos e desafios globais: NDCs, Acordo de Paris e transição energética
O encontro também marca os 10 anos do Acordo de Paris, marco histórico no combate às mudanças climáticas. Os debates giram em torno das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), metas apresentadas por cada país para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Apesar dos avanços, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, alertou que apenas 60 países, responsáveis por cerca de 30% das emissões globais, apresentaram suas novas metas até o final de outubro. “Ainda há obstáculos significativos para atingir progressos concretos”, afirmou.
Entre os compromissos firmados na Cúpula estão:
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Declaração de Lançamento do TFFF;
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Apelo à Ação sobre Gestão Integrada de Incêndios;
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Compromisso de Belém sobre Combustíveis Sustentáveis;
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Declaração sobre Fome, Pobreza e Ação Climática.
A Amazônia no centro das decisões globais
Mais do que uma conferência política, a Cúpula do Clima tem um profundo significado socioambiental. Para o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), a Amazônia abriga 28 milhões de brasileiros, mas ainda enfrenta graves desigualdades sociais. “As populações ribeirinhas desempenham papel essencial na preservação, mas vivem em situação de abandono”, ressaltou.
Belém, palco da COP30, se prepara para receber mais de 50 mil visitantes e deixará como legado o Parque da Cidade, espaço que será o principal centro de eventos e referência ambiental após o término da conferência.
O papel do Brasil e o legado da COP30
O presidente Lula tem repetido que esta deve ser a “COP da verdade”, com compromissos concretos, especialmente dos países ricos e grandes emissores. O Brasil, que atualizou sua NDC em 2024, agora se compromete a reduzir entre 59% e 67% das emissões líquidas de CO₂ até 2035, em comparação com os níveis de 2005.
A Cúpula do Clima marca, portanto, o início de uma nova etapa na liderança ambiental brasileira, com a Amazônia no centro das decisões globais sobre o futuro climático do planeta.
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