O Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS) iniciou uma das reestruturações mais dramáticas de sua história recente. A agência anunciou uma reorganização profunda que transferirá dois terços de sua equipe central de Washington, D.C., para Salt Lake City, ao mesmo tempo em que centralizará toda a sua coordenação científica em Fort Collins, no Colorado. A medida mais drástica, no entanto, é o fechamento planejado de mais de 50 instalações de pesquisa espalhadas pelo país.

Para a comunidade científica e organizações conservacionistas, a agitação é vista como prejudicial. Katharine Hayhoe, cientista-chefe da Nature Conservancy, alertou que as repercussões dessas mudanças irão muito além dos limites da própria agência governamental, afetando a ciência ambiental como um todo.
Fuga de Cérebros e Perda de Capacidade
A reestruturação ocorre em um momento de forte pressão sobre as agências de pesquisa americanas para a redução de pessoal. O impacto direto dessa incerteza tem sido uma evasão severa de talentos.
Dados recentes revelam que, dos 633 pesquisadores com Ph.D. que atuavam na agência no final de 2024, 137 já haviam deixado seus cargos até dezembro de 2025 devido a demissões e aposentadorias antecipadas. Apenas pouco mais de uma dúzia de laboratórios focados em áreas como incêndios florestais e produtos madeireiros devem permanecer abertos. O estado do Alasca, que abriga 9 milhões de hectares de florestas nacionais, ficará sem nenhuma instalação de pesquisa local.
“A perda de capacidade institucional é simplesmente de partir o coração”, lamentou o economista Geoffrey Donovan, que rescindiu seu contrato após mais de 20 anos de atuação na agência. A notificação formal da realocação já foi enviada a mais de 6.000 funcionários, gerando temores de um novo êxodo de profissionais que não poderão ou não aceitarão se mudar.
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O Risco para as Florestas Experimentais
A justificativa oficial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), ao qual o USFS é subordinado, baseia-se em dois pilares: aproximar os tomadores de decisão das florestas nacionais e cortar custos. Nos últimos anos, a agência tem enfrentado déficits operacionais pesados, impulsionados pelos custos bilionários de combate aos incêndios florestais.
No entanto, o plano deixa uma lacuna preocupante sobre o futuro das 82 florestas experimentais administradas pelo USFS. Muitos desses locais abrigam experimentos contínuos que duram décadas, acompanhando de perto os impactos das práticas de extração de madeira e o avanço das mudanças climáticas na dinâmica florestal.
Especialistas apontam que a pesquisa de campo é inegociável. “Você não pode simplesmente pegar um local experimental na floresta e levá-lo para Salt Lake City”, critica Hayhoe.
A esperança de muitos líderes do setor, como Chris Swanston, da Save the Redwoods League, é que a agência permita que os cientistas continuem trabalhando baseados em universidades, ONGs ou agências estaduais parceiras. Se não houver flexibilidade, o conhecimento acumulado por gerações na silvicultura americana pode sofrer um golpe irreparável.
Fonte: Science
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