A vassoura-de-bruxa é uma das pragas mais conhecidas e temidas na cultura do cacau, especialmente no Brasil. Causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, essa doença devastou plantações inteiras e provocou uma crise econômica e social significativa na região cacaueira da Bahia. O objetivo deste guia é oferecer uma visão prática e direta sobre como identificar, controlar e prevenir a vassoura-de-bruxa, focando nas boas práticas para agricultores, técnicos e estudantes da área.
O que é a Vassoura-de-Bruxa?
A vassoura-de-bruxa é uma doença fúngica que atinge o cacaueiro (Theobroma cacao), causando

crescimento anormal dos ramos e frustração da frutificação. Seu nome vem do aspecto visual que a planta apresenta: uma aglomeração de brotos finos e longos, semelhante a uma vassoura.
O fungo Moniliophthora perniciosa é hemibiotrófico, o que significa que possui uma fase inicial de convivência com o hospedeiro (biotrófica) e uma posterior de necrose (necrotófica). Esse ciclo torna o combate mais complexo, exigindo ações coordenadas e constantes no campo.
Identificação da Praga
Sintomas visuais em folhas, galhos e frutos
- Brotos hipertrofiados: crescimento excessivo de brotações laterais, com folhas menores e deformadas;
- Galhos ressecados: a infecção interrompe o fluxo de seiva, causando morte dos ramos;
- Frutos mumificados: os frutos infectados param de se desenvolver e adquirem coloração escura, ressecando;
- Presença de micélio: em estágios avançados, observa-se o micélio branco nos tecidos afetados.
Diagnóstico diferencial com outras doenças
Confundir a vassoura-de-bruxa com outras doenças pode comprometer o manejo. É importante diferenciá-la de:
- Podridão-parda: causada por Phytophthora spp., que também afeta os frutos;
- Antracnose: geralmente apresenta lesões em forma de anéis escuros nas folhas e frutos.
A chave para o diagnóstico preciso é observar o conjunto dos sintomas e, quando possível, realizar análise laboratorial.
Estratégias de Controle Integrado
O controle da vassoura-de-bruxa não pode ser feito com uma única ação isolada. É essencial adotar o Manejo Integrado de Doenças (MID), combinando práticas culturais, biológicas e, quando necessário, químicas.
Controle químico: quando e como usar
O uso de defensivos químicos deve ser criterioso. Os fungicidas mais utilizados atuam na prevenção da infecção ou no controle da propagação do fungo. As aplicações devem obedecer a:
- Calendário fitossanitário local;
- Início do período chuvoso, quando o fungo se dissemina com mais facilidade;
- Áreas com histórico de alta infestação.
A aplicação inadequada pode causar resistência do fungo e contaminação ambiental.
Controle biológico com Trichoderma spp.
O uso de agentes biológicos tem ganhado destaque. O fungo Trichoderma spp. é um antagonista natural da vassoura-de-bruxa. Ele atua competindo por espaço e nutrientes, além de produzir substâncias antifúngicas.
- Pode ser aplicado via pulverização foliar ou no solo;
- É compatível com práticas agroecológicas;
- Requer reaplicações periódicas para manutenção da população no campo.
Controle cultural: podas, espaçamento e manejo da umidade
A prática mais eficaz a longo prazo ainda é o manejo cultural:
- Poda sanitária: remoção de ramos e frutos doentes com ferramentas esterilizadas;
- Queima ou enterrio de restos infectados para evitar a reinfestações;
- Adequado espaçamento entre plantas para ventilação e redução da umidade relativa;
- Limpeza da área e manejo do sombreamento.
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Importância do Monitoramento e Capacitação Técnica
A chave para o sucesso no controle da vassoura-de-bruxa é o monitoramento constante. Visitas frequentes à lavoura permitem:
- Identificar focos iniciais e agir rapidamente;
- Avaliar a eficiência das práticas aplicadas;
- Reduzir os custos com defensivos e perdas por baixa produtividade.
Ademais, a capacitação de mão de obra é crucial. Agricultores e trabalhadores devem ser treinados para:
- Reconhecer os sintomas precocemente;
- Realizar as podas de forma correta;
- Aplicar insumos com segurança e eficácia.
Considerações Finais
A vassoura-de-bruxa continua sendo um desafio para a cacauicultura brasileira, mas pode ser controlada com boas práticas e conhecimento técnico. A integração entre controle biológico, podas sanitárias, manejo adequado da lavoura e monitoramento constante representa a melhor estratégia para conviver com a doença sem comprometer a produtividade.
Investir em pesquisa, capacitação e assistência técnica é o caminho para garantir um futuro sustentável para a cadeia do cacau.
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