O GHG Protocol anunciou o lançamento do seu novo Land Sector and Removals (LSR) Standard, um padrão inédito que estabelece, pela primeira vez, uma metodologia global para que empresas possam quantificar, relatar e monitorar emissões de gases de efeito estufa (GEE) e remoções de CO₂ associadas ao setor de uso da terra.
O novo padrão representa um avanço relevante na contabilidade de carbono corporativa, especialmente para atividades relacionadas à agricultura, florestas, alimentos, fibras, bioenergia e soluções climáticas naturais.
O que é o GHG Protocol e por que ele é referência global
O GHG Protocol foi criado em 1997 pelo World Resources Institute (WRI) e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), com o objetivo de desenvolver frameworks globais padronizados para mensurar e gerenciar emissões de GEE provenientes de operações públicas e privadas, cadeias de valor e ações de mitigação.
Atualmente, os padrões do GHG Protocol estão integrados e referenciados nos principais modelos globais de reporte de sustentabilidade, incluindo:
- As normas do ISSB da Fundação IFRS
- Os European Sustainability Reporting Standards (ESRS), que fundamentam a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) da União Europeia
Por que o setor de uso da terra era um “ponto cego” no reporte de emissões
Segundo o GHG Protocol, o novo padrão foi desenvolvido para preencher uma lacuna histórica na contabilidade de emissões. O setor de uso da terra, que engloba agricultura, florestas e outros usos do solo, é responsável por aproximadamente 22% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Ao mesmo tempo, o sumidouro global de carbono terrestre é responsável por remover cerca de 30% das emissões líquidas anuais de CO₂ de origem antrópica. Apesar dessa relevância climática, as empresas não dispunham até agora de métodos confiáveis e consistentes para reportar emissões e remoções de CO₂ associadas ao uso da terra.
Dominic Waughray, Vice-Presidente Executivo do WBCSD, afirmou:
“Um dos maiores ‘pontos cegos’ na contabilidade de carbono corporativa tem sido o setor de uso da terra. Este padrão reduz significativamente essa incerteza ao fornecer um referencial globalmente reconhecido para medir impactos agrícolas com o mesmo rigor aplicado ao uso de energia.”
Quando o novo padrão entra em vigor
O Land Sector and Removals Standard entrará em vigor a partir de janeiro de 2027. A partir dessa data, empresas com atividades relevantes no setor de uso da terra, seja em suas operações diretas ou em sua cadeia de valor, deverão adotar o novo padrão para estar em conformidade com o framework do GHG Protocol.
Novas métricas incorporadas à contabilidade de carbono
O novo padrão introduz métricas que, até então, eram subnotificadas ou excluídas dos inventários corporativos de GEE, incluindo:
- Emissões por mudança de uso da terra, associadas à conversão de áreas e ao desmatamento
- Impactos indiretos do uso da terra, incluindo vazamentos (leakage) decorrentes da dinâmica global do uso do solo
- Emissões e remoções provenientes de práticas contínuas de manejo da terra
- Emissões biogênicas associadas ao uso de produtos agrícolas
- Emissões e remoções ao longo do ciclo de vida de alimentos, fibras, rações e bioenergia em toda a cadeia de valor
- Remoções de CO₂ por soluções climáticas naturais e por tecnologias de remoção de carbono
- Captura e armazenamento de CO₂ em reservatórios geológicos
- Armazenamento de carbono em produtos de longa duração derivados de remoções de CO₂
Processo de desenvolvimento do padrão
De acordo com o GHG Protocol, o LSR Standard foi desenvolvido ao longo de cinco anos, por meio de um processo internacional de governança multissetorial, que envolveu:
- Mais de 300 revisores externos
- Cerca de 4.000 contribuições públicas
- Testes-piloto realizados por 96 empresas e parceiros institucionais
O Independent Standards Board (ISB) do GHG Protocol tratou de dois temas considerados tecnicamente complexos:
- Vazamento agrícola, que ocorre quando ações de uma empresa deslocam a produção de alimentos ou rações para áreas fora de suas operações ou cadeia de valor
- Contabilidade de carbono florestal
Vazamento agrícola e contabilidade florestal
O novo padrão exige que empresas envolvidas em atividades com alto risco de vazamento agrícola quantifiquem e relatem esses impactos de forma separada.
Já a contabilidade de carbono florestal não foi incluída na versão inicial do padrão. Segundo o GHG Protocol, essa decisão foi tomada para evitar atrasos na publicação do LSR Standard. A organização informou que lançará uma Solicitação de Informações (Request for Information) para coletar contribuições sobre como a contabilidade florestal deve ser incorporada em futuras atualizações.
Impacto para empresas e cadeias globais de valor
Craig Hanson, Diretor-Geral de Programas do WRI, destacou:
“Ao fornecer esse framework testado na prática e baseado na ciência, o GHG Protocol está capacitando empresas (de produtores globais de alimentos e varejistas do setor têxtil a startups inovadoras de remoção de carbono) com métodos confiáveis que permitem acompanhar seu progresso e comprovar seu impacto.”
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