Pesquisadores identificam nova espécie de planta no Rio Grande do Sul
A nova espécie de planta Rhamnidium riograndense viajou na mala de um engenheiro florestal por 5 anos e levou outros 5 antes que fosse identificada e descrita pela primeira vez à ciência.
O arbusto viajante Rhamnidium riograndense, descoberto no Rio Grande do Sul. Foto: Maurício FigueiraLEIA MAIS: 5 frutas nativas da Mata Atlântica em risco de extinçãoO primeiro encontro do pesquisador Maurício Figueira com a R. riograndense, um pequeno arbusto verde-brilhante, foi numa viagem a lazer com amigos, em 2011, ao Salto do Guassupi, cachoeira localizada no município de São Martinho da Serra, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, a planta chamou atenção o suficiente para ficar registrada na memória do engenheiro florestal e seu instinto de curioso inato, que questionava que espécie poderia ser aquela que ele não conhecia. No ano seguinte, numa ida de campo ao Cerro do Itaquatiá, em São Pedro do Sul, outro município gaúcho, o destino pôs o arbusto brilhante mais uma vez no caminho de Maurício. Dessa vez, com frutos, que ressaltaram ainda mais as particularidades daquela espécie que ele desconhecia. Com as amostras coletadas e levadas ao herbário, o fim da investigação botânica parecia perto, mas só parecia, e por anos um exemplar desidratado da espécie viajou com o engenheiro em sua mala enquanto ele trabalhava Brasil afora, com muito pouco tempo para entender melhor quem era a ilustre desconhecida que despachava junto com sua bagagem. Apenas em 2021 veio a conclusão da pesquisa, feita gradativamente ao longo dos anos, primeiro com a descoberta da sua família botânica – a Rhamnaceae, que agrupa cerca de 900 espécies de árvores, arbustos e lianas –, depois com a constatação de que se tratava de uma nova espécie para ciência e não apenas um novo registro para o Brasil. O artigo, publicado no começo de julho na revista científica Phytotaxa, é assinado por Maurício junto com outra engenheira florestal, Bianca Schindler. A dupla trabalhou junto no herbário da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Parceiros de profissão e de vida, estiveram juntos nas viagens e mudanças feitas ao longo dos últimos 10 anos, enquanto aos poucos elucidavam os mistérios da R. riograndense.
LEIA MAIS: A regeneração natural assistida, seus benefícios e seu poder para dar escala à restauraçãoO arbusto ocorre na transição entre os domínios do Pampa, com seus campos, e da Mata Atlântica, com suas florestas, em ambientes de encostas e áreas abertas, sempre em solos rochosos e rasos. Até o momento, a pesquisa identificou apenas quatro populações da espécie, situadas bem próximas, num perímetro de 16km² que abrange os municípios de Jari, Santa Maria, São Martinho da Serra e São Pedro do Sul.
O Cerro do Itaquatiá, no município gaúcho de São Pedro do Sul, onde a espécie foi encontrada. Foto: Bianca Schindler
Prancha mostra detalhe da folha da Rhamnidium riograndense. Arte: Kelen Pureza Soares