Novo sapo da Mata Atlântica é descrito no Espírito Santo e já enfrenta risco crítico

Novo sapo da Mata Atlântica é descrito no Espírito Santo e já enfrenta risco crítico

Uma nova espécie de sapo foi descrita no litoral do Espírito Santo já sob forte preocupação de conservação. Batizado de Dryadobates caissara, o anfíbio mede cerca de 13 milímetros e, até o momento, é conhecido em apenas um pequeno fragmento de Mata Atlântica no município da Serra.

O estudo foi conduzido por Max Hideki Oliveira Homma, Katarine Nogueira Norbertino e Taran Grant, pesquisadores ligados ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. A descrição científica foi publicada na revista Zootaxa, e os autores recomendam que a espécie seja classificada como criticamente em perigo.

Espécie vive em apenas 38 hectares de floresta

A área onde o sapo foi encontrado fica entre os bairros de Costa Bela e Praia de Capuba. Em 2011, o fragmento florestal possuía aproximadamente 54 hectares. Desde então, perdeu cerca de 30% de sua extensão e atualmente restam 38 hectares.

Casas, plantações de eucalipto e uma rodovia cercam o remanescente. Os pesquisadores também identificaram sinais de incêndio, corte de árvores, cercas e descarte de lixo. A redução da floresta preocupa especialmente porque anfíbios de pequeno porte dependem de condições estáveis de umidade e temperatura para sobreviver e se reproduzir.

Um canto diferente das outras espécies

Além de ser a menor das oito espécies conhecidas do gênero Dryadobates, a nova espécie apresenta uma vocalização singular. Em 76 minutos de gravações de quatro machos, a equipe analisou 1.147 cantos organizados em séries contínuas. Diferentemente das espécies relacionadas já estudadas, nenhum canto foi emitido de forma isolada.

Esse padrão acústico ajudou a confirmar que os animais pertencem a uma linhagem distinta. A espécie já estava representada em coleções científicas desde 2011, mas os exemplares haviam sido identificados como Allobates olfersioides. Uma análise genética posterior indicou que se tratava de outro grupo, levando os pesquisadores a buscar novos adultos, fotografias e registros sonoros em campo.

Busca em campo revelou distribuição muito restrita

Durante a expedição realizada em fevereiro de 2024, a equipe passou cinco dias procurando o animal em um fragmento vizinho de 79 hectares, sem obter nenhum registro. O sapo foi localizado apenas no sexto dia de trabalho, dentro da mata menor.

Os pesquisadores recomendam novas buscas durante o período chuvoso e o uso de monitoramento acústico antes de concluir que a espécie está ausente de outros fragmentos. Com os dados disponíveis, entretanto, a distribuição conhecida continua extremamente limitada.

Proteção do remanescente é prioridade

O tamanho reduzido da floresta aumenta o risco para a espécie. Em fragmentos pequenos, a borda favorece temperaturas mais altas e menor umidade. Essas condições podem ressecar a serrapilheira onde os ovos são depositados e afetar tanto os adultos quanto as larvas.

Segundo os autores, a medida mais urgente é preservar o que resta do fragmento e permitir a regeneração das áreas degradadas. A descrição formal da espécie fornece uma base científica para ações de conservação, avaliação ambiental e proteção de seu habitat.

Foto: Taran Grant/Agência FAPESP.

Fontes: Agência FAPESP e estudo publicado na Zootaxa.

Compartilhar Notícia

Comentários (0)

Você precisa estar cadastrado e logado para poder comentar.

Fazer Login / Cadastrar-se

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!