Levantamento identifica 240 candidatos às eleições de 2026 com autos de infração ambiental
Um levantamento da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente, a ASCEMA Nacional, identificou 240 candidatos às eleições gerais de 2026 associados a autos de infração ambiental válidos registrados pelo Ibama ou pelo ICMBio.
O estudo analisou 20.653 candidatos únicos e encontrou 524 autos de infração vinculados aos 240 nomes identificados. Os valores nominais registrados nesses autos somam R$ 213.516.574,62. O grupo corresponde a aproximadamente 1,16% das candidaturas analisadas.
O relatório foi elaborado a partir do cruzamento de bases oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Cruzamento foi realizado por CPF
Segundo a metodologia apresentada pela ASCEMA, a associação comparou o CPF dos candidatos registrados nas eleições de 2026 com os CPFs existentes nas bases federais de autos de infração ambiental.
A correspondência somente foi considerada quando os dois CPFs eram exatamente iguais. Nome, estado, apelido ou outras informações não foram utilizados para criar vínculos, reduzindo o risco de associação entre pessoas com nomes semelhantes.
Também foram incluídos candidatos titulares, vices e suplentes, já que estes últimos podem eventualmente assumir os respectivos mandatos.
Autos cancelados ou anulados foram retirados da análise, assim como registros anteriores a julho de 1994. Os valores utilizados correspondem ao montante registrado quando cada auto foi lavrado, sem correção monetária.
Outro ponto importante é que o cruzamento considerou apenas pessoas físicas. Eventuais autos relacionados a empresas das quais os candidatos sejam proprietários ou sócios não foram contabilizados.
240 candidatos aparecem no levantamento
Dos 20.653 candidatos únicos analisados, 240 aparecem associados a pelo menos um auto válido nas bases consideradas.
Esses candidatos concentram 524 autos de infração, média de pouco mais de dois registros por pessoa.
O relatório também chama atenção para a concentração financeira. Segundo a análise da ASCEMA, aproximadamente 5% dos 240 candidatos identificados concentram mais de 80% do valor total registrado nas multas.
Isso significa que os R$ 213,5 milhões não estão distribuídos de maneira uniforme entre todos os nomes presentes no levantamento. Uma pequena parcela reúne autos de valores significativamente maiores.

Tocantins possui o maior número de candidatos identificados
Quando os dados são analisados por unidade da federação da candidatura, o Tocantins aparece na primeira posição, com 20 candidatos.
Na sequência estão:
Pará, com 19 candidatos; Roraima, com 18; Minas Gerais, com 17; Goiás, com 14; Mato Grosso, com 14; Acre, com 11; Rondônia, com 10; Paraná, com 10; e Maranhão, com 9.
O Pará, apesar de ocupar a segunda posição em número de candidatos, possui o maior número de autos entre os estados destacados: 59 registros.
Roraima aparece com 51 autos, enquanto Tocantins possui 41.
É importante observar que o estado considerado nessa comparação é o local onde o candidato disputa a eleição. Isso não significa necessariamente que a infração ambiental tenha ocorrido naquele mesmo estado.
Goiás e Roraima concentram os maiores valores
Quando o critério passa a ser o valor nominal das multas vinculadas aos candidatos de cada estado, Goiás assume a primeira posição.
Os candidatos registrados em Goiás identificados pelo levantamento acumulam aproximadamente R$ 67,6 milhões.
Roraima aparece logo depois, com aproximadamente R$ 55,6 milhões.
Em seguida estão Pernambuco, com cerca de R$ 17,7 milhões; Pará, também próximo de R$ 17,7 milhões; Acre, com R$ 9,9 milhões; Rondônia, com R$ 8,6 milhões; Tocantins, com R$ 7,2 milhões; e Mato Grosso, com aproximadamente R$ 7 milhões.
Novamente, esses valores representam a soma nominal registrada nos autos na época de sua lavratura e não necessariamente o valor atualmente devido.
Deputados estaduais concentram a maior parte dos registros
Entre os cargos analisados, a maior quantidade de candidatos identificados aparece entre aqueles que disputam vagas de deputado estadual.
São 119 candidatos, associados a 260 autos de infração e aproximadamente R$ 129,7 milhões em valores registrados.
Entre os candidatos a deputado federal, foram identificadas 83 pessoas e 178 autos, com aproximadamente R$ 67,4 milhões.
Também aparecem no levantamento:
12 candidatos ao Senado, nove candidatos a primeiro suplente, oito candidatos a segundo suplente, quatro candidatos a vice-governador, três candidatos a deputado distrital e dois candidatos a governador.
Nenhum candidato a presidente ou vice-presidente aparece no cruzamento apresentado pela ASCEMA.
Um dado que chama atenção é o dos primeiros suplentes ao Senado. Apesar de serem apenas nove candidatos, eles acumulam 45 autos e aproximadamente R$ 10,9 milhões em valores registrados.
Quais partidos possuem mais candidatos no levantamento?
Os 240 candidatos estão distribuídos entre diferentes partidos políticos.
O PL possui o maior número absoluto, com 35 candidatos identificados.
Em seguida aparecem MDB, com 26; Podemos, com 22; Republicanos, com 19; PSDB, com 18; PSD, com 16; União Brasil, com 14; Novo, com 14; PP, com 12; e Democracia Cristã, com nove.
A quantidade absoluta, entretanto, não representa necessariamente a proporção de candidatos autuados dentro de cada partido, porque as legendas possuem números diferentes de candidaturas registradas.
O próprio relatório também ressalta que a presença de candidatos de determinado partido, cargo ou estado no levantamento não demonstra, isoladamente, como essas pessoas atuarão em relação às políticas ambientais caso sejam eleitas.
Alguns partidos concentram valores muito elevados
O cenário também muda quando a comparação considera o valor nominal dos autos.
O Mobiliza, mesmo aparecendo com apenas três candidatos no levantamento, concentra cerca de R$ 67,1 milhões.
A Democracia Cristã aparece com aproximadamente R$ 54 milhões, distribuídos entre nove candidatos.
Depois aparecem PSB, com aproximadamente R$ 17,9 milhões; PL, com R$ 16,3 milhões; Podemos, com R$ 11,9 milhões; e Republicanos, com aproximadamente R$ 11,1 milhões.
Essa diferença ocorre porque alguns candidatos individualmente possuem autos de valores muito superiores aos demais.

Ter um auto de infração não significa ter sido condenado
Esse é um dos pontos mais importantes para interpretar corretamente o levantamento.
A presença de um candidato nessa lista não significa automaticamente que ele tenha sido condenado por crime ambiental.
O auto de infração é um ato administrativo relacionado à apuração de uma possível irregularidade. Depois da autuação, o processo pode envolver defesa, recursos, julgamento administrativo, revisão judicial, pagamento, redução, conversão ou até outras alterações de status.
Por isso, a ASCEMA esclarece que o levantamento não determina culpa definitiva, não estabelece inelegibilidade e não afirma que os valores apresentados estejam integralmente pendentes de pagamento.
O relatório organiza os registros administrativos encontrados nas bases oficiais no momento em que os dados foram coletados.
Os R$ 213 milhões não representam necessariamente uma dívida atual
Os R$ 213,5 milhões correspondem à soma dos valores nominais registrados nos autos considerados válidos pelo levantamento.
Isso não significa que exista atualmente uma dívida de exatamente esse valor.
Parte das multas pode ter sido paga, reduzida, convertida, contestada ou submetida a processos administrativos e judiciais.
Por essa razão, o valor deve ser interpretado como um indicador do histórico de autuações encontrado nas bases utilizadas, e não como um estoque líquido imediatamente cobrável.
Levantamento não inclui todas as possíveis autuações ambientais
O estudo possui outras limitações importantes.
Foram utilizados somente dados federais do Ibama e do ICMBio.
Autuações aplicadas por secretarias estaduais de meio ambiente, prefeituras ou outros órgãos ambientais locais não fazem parte da análise.
O levantamento também não inclui multas registradas em nome de empresas relacionadas aos candidatos, pois o cruzamento considerou exclusivamente o CPF da pessoa física.
Dessa forma, os resultados não representam necessariamente todo o histórico ambiental existente de cada candidato.

Por que conhecer esse histórico é relevante?
Deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e outros representantes eleitos possuem diferentes competências relacionadas à elaboração de leis, aprovação de orçamentos e definição de políticas públicas.
Na área ambiental, decisões políticas podem influenciar recursos destinados à fiscalização, legislação sobre uso da terra, licenciamento ambiental, unidades de conservação e estrutura dos órgãos públicos responsáveis pela proteção ambiental.
A ASCEMA argumenta em seu relatório que a presença de pessoas anteriormente fiscalizadas por órgãos ambientais entre os candidatos merece escrutínio público justamente porque alguns desses cargos possuem capacidade de influenciar normas, orçamento e estruturas relacionadas à fiscalização.
Essa análise representa a interpretação apresentada pela entidade no relatório. A existência de uma autuação, isoladamente, não permite concluir como determinado candidato se comportará politicamente caso seja eleito.
Eleitor pode consultar os dados individualmente
Além do relatório técnico, a ASCEMA disponibilizou uma planilha contendo os registros utilizados no levantamento.
A base permite consultar informações como nome do candidato, cargo, partido, estado da candidatura, quantidade de autos, órgão responsável, anos das autuações, tipos de infração, descrição das ocorrências e valores registrados.
Isso possibilita que os registros sejam analisados individualmente, evitando que os números agregados sejam utilizados sem considerar a situação específica de cada candidato.
O relatório também apresenta um protocolo para reprodução e auditoria do levantamento, incluindo regras para validação dos CPFs, deduplicação de registros e exclusão de autos cancelados ou anulados.
Transparência antes do voto
O levantamento da ASCEMA acrescenta um novo conjunto de informações ao debate eleitoral de 2026.
Um auto de infração ambiental não determina sozinho a avaliação que deve ser feita sobre uma candidatura. Ao mesmo tempo, o histórico de relacionamento de candidatos com órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental é uma informação pública que pode ser considerada pelo eleitor juntamente com propostas de governo, atuação política, trajetória profissional e outros elementos que julgue relevantes.
A função desse tipo de levantamento é permitir que essas informações sejam conhecidas, verificadas e debatidas antes da eleição.
Créditos: o levantamento, a metodologia, o relatório técnico e a base consolidada foram produzidos pela ASCEMA Nacional — Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e PECMA. O Florestal Brasil realizou a organização jornalística das informações para esta publicação.
O Florestal Brasil está aberto ao contraditório e ao direito de resposta. Candidatos, partidos, assessorias ou demais pessoas mencionadas que desejarem apresentar esclarecimentos, documentos sobre o andamento dos processos, atualizações, correções ou contestações podem entrar em contato com nossa equipe. Informações comprovadamente incorretas ou desatualizadas poderão ser corrigidas ou complementadas.
Fontes
ASCEMA Nacional. Relatório Técnico-Analítico — Infrações ambientais e candidaturas políticas: Eleições 2026, agosto de 2026.
ASCEMA Nacional. “Levantamento aponta que 240 candidatos nas eleições de 2026 acumulam R$ 213 milhões em multas ambientais”, publicado em 31 de agosto de 2026. (Ascema Nacional)
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Portal de Dados Abertos — Candidaturas, Eleições 2026.
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Dados Abertos — Fiscalização e autos de infração ambiental.
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Base pública de Autos de Infração e Dados Geoespaciais. (Serviços e Informações do Brasil)
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