Angelim-vermelho, maior árvore do Brasil, resiste em área pressionada pelo desmatamento

Angelim-vermelho, maior árvore do Brasil, resiste em área pressionada pelo desmatamento

No Norte do Pará, na Floresta Estadual do Peru, está localizado um dos grandes tesouros da biodiversidade brasileira, um angelim-vermelho (Dinizia excelsa) de 400 anos de idade, 88,5 metros de altura e quase 10 metros de circunferência.

Com cerca de 400 anos, 88,5 metros de altura e quase 10 metros de circunferência, a árvore impressiona pelas dimensões. Ela é tão alta quanto um prédio de 30 andares ou 2,5 vezes a altura do Cristo Redentor. Seu tronco é tão largo que cerca de cinco adultos de mãos dadas seriam necessários para abraçá-lo. 

Entretanto, a Floresta Estadual do Paru, que também abriga um satuário de árvores gigantes, além do angelim-vermelho, foi a segunda unidade de conservação estadual mais ameaçada pelo desmatamento na Amazônia no último trimestre de 2025. Os dados são do relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, publicado trimestralmente pelo Imazon. A área também esteve presente no ranking de outubro a dezembro de 2024, ocupando a primeira posição entre as UCs estaduais mais ameaçadas. 

Segundo a diretora do Programa de Áreas Protegidas do Imazon, Jakeline Pereira, o local desempenha papel estratégico na proteção da Amazônia.

“Além de abrigar espécies únicas da fauna e da flora, é fundamental para o equilíbrio climático e para o fornecimento de produtos florestais madeireiros à indústria, bem como de produtos não madeireiros, como a castanha, que sustentam populações locais. Sua preservação é essencial em escala global”, afirma.

O angelim-vermelho gigante foi encontrado em setembro de 2022, após uma busca que durou cerca de três anos e cinco expedições feitas por cientistas, sob a liderança do Instituto Federal do Amapá (Ifap).

Alertas de desmatamento caem no primeiro semestre

A Amazônia registrou no primeiro semestre de 2026 a menor área com sinais de desmatamento detectados por satélite em uma década, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O sistema identificou, entre janeiro e junho, 1.295 km² de áreas sob alerta de perda de vegetação nativa no bioma — o menor patamar para o período desde o início da série histórica do Deter, em 2016. Os números foram divulgados pelo Inpe no dia 10 de julho desse ano.

Os avisos do Deter funcionam como alertas rápidos: eles identificam lugars onde imagens de satélite mostraram mudanças compatíveis com a retirada da vegetação. Esses dados ajudam a orientar ações de fiscalização, mas não representam a taxa oficial de desmatamento, calculada anualmente por outro sistema do Inpe, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

 

Os dados citados na matéria podem ser acessados em: https://imazon.org.br/noticias/desmatamento-ameaca-santuario-das-arvores-gigantes-da-amazonia

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